A SHE-SI no encontro de Macau em Mafra.
Mafra, 27 Jun (Lusa) - A frase “há quanto tempo não nos víamos” foi provavelmente a mais pronunciada hoje num almoço que reuniu no convento de Mafra quase 2000 antigos residentes em Macau durante a administração portuguesa do território. O Refeitório dos Frades e salas e corredores adjacentes, nas instalações da Escola Prática de Infantaria no convento de Mafra, foram pequenos para acolher os participantes no “Encontro de Macau”, organizado a propósito do 10.o aniversário da transferência da administração de Macau de Portugal para a China em 1999. Descobrir caras conhecidas na multidão, relembrar experiências comuns e “pôr a conversa em dia” sobre a família e as actividades profissionais foram as actividades dominantes de uma tarde de convívio em que o almoço foi apenas uma circunstância. A iniciativa foi lançada pelos antigos governadores portugueses de Macau general Lopes dos Santos (1962-1966), general Garcia Leandro (1974-1979), general Melo Egídio (1979-1981), almirante Almeida e Costa (1981-1985), Joaquim Pinto Machado (1986-1987), Carlos Melancia (1987-1991 e general Vasco Rocha Vieira (1991-1999) e pretendeu reunir num convívio informal aqueles que nasceram, viveram ou trabalharam em Macau, durante o período da Administração Portuguesa. E para lembrar os sons e cores do Oriente, a reunião de várias gerações de “Portugueses de Macau”, por nascimento ou adopção, contou com a tradicional Dança do Dragão, SHE-SI “vivificado” pela pintura cerimonial dos olhos pelos quatro ex-governadores presentes no almoço - Garcia Leandro, Pinto Machado, Carlos Melancia e Rocha Vieira. O Encontro de Macau esteve inicialmente previsto para uma quinta em Alcainça, Mafra - propriedade da Fundação Jorge Álvares, que tem como curadores os ex-governadores e se assumiu como a base logística da organização - mas o elevado número de inscrições obrigou a que fosse transferido para as instalações da Escola Prática de Infantaria. O número de participantes ultrapassou muito as expectativas da organização, que apontava para um número máximo de 1000 pessoas, numa mobilização em "passa-palavra" a partir de uma mensagem de correio electrónico enviada para uma lista de contactos inicial. ”Foi uma oportunidade de reencontro de pessoas que de alguma maneira têm um passado comum e que pelas circunstâncias da vida acabaram por perder o contacto", disse à Lusa um dos organizadores do almoço. Macau tornou-se uma Região Administrativa Especial da República Popular da China em 20 de Dezembro de 1999, depois de mais de 400 anos de presença e administração portuguesa. JMR. Lusa/Fim http://www.jorgealvares.com |